DRE, Receita, Custos Fixos e Custos Variáveis (parte 1)

13 de julho de 2008

CONTEÚDO

DRE - Demonst do Resultado do Exercício (regime de competência, variações nas DREs)

A idéia básica da contabilidade empresarial é muito simples. Uma empresa tem receitas de vendas, custos, despesas... Se as receitas de vendas superam os custos e despesas somados, temos lucro. Por outro lado, se os custos e despesas superam as receitas de vendas, temos prejuízo. O relatório contábil específico para a apuração de resultado (lucro ou prejuízo) é a DRE - Demonstração do Resultado do Exercício. Esse relatório utiliza o chamado regime de competência.

Contabilizar em regime de competência significa que os valores das operações de compras, vendas, folha de pagamento, entre outras, vão para o período de referência, sem considerar os fluxos de caixa.

O resultado da empresa é sempre apurado tendo como referência um período. Pode ser mensal, trimestral, semestral, anual, ou qualquer outro. Todos os componentes da apuração (receita, custos, impostos) são contabilizados ao longo desse período.

Por exemplo, se a empresa faz uma venda em 10 de junho e irá receber em 60 dias, na DRE essa venda será contabilizada no segundo trimestre, pois é quando a venda se realiza. O fato do recebimento ocorrer no terceiro trimestre não tem relevância.

Outro exemplo, se a gestão financeira faz DREs mensais e paga a folha no quinto dia do mês seguinte, o pagamento feito, digamos, em 05 de outubro é contabilizado na DRE de setembro, pois é o período de referência.

O que confunde muitas pessoas que começam a estudar o assunto é a grande variação nos modos de montar e exibir uma DRE.

Segue abaixo um exemplo de DRE básica.

FICÇÃO S.A. - DRE mês junho/2008 (R$)
receita de vendas 50.000,00
(-) CPV (20.000,00)
(-) despesas (10.000,00
(=) LAIR 20.000,00
(-) IR (40% do LAIR) (8.000,00)
(=) Lucro líquido 12.000,00

Primeiramente, a DRE deve mostrar a empresa e o período aos quais se refere. Neste caso, trata-se de uma DRE do mês de junho de 2008. Ela mostra que durante esse mês a empresa Ficção S.A. obteve R$ 50.000,00 de receita com a venda de seus produtos. Mostra também que esses produtos vendidos em junho/08 custaram para a empresa R$ 20.000,00. Além disso, teve despesas de R$ 10.000,00 no mês. Descontando da receita o custo dos produtos e as despesas, a DRE mostra que o Lucro antes do IR ( LAIR ) no mês foi de R$ 20.000,00. O imposto de renda é aplicado sobre o LAIR, portanto, sendo a alíquota do IR de 40%, a empresa pagou em jun/08 R$ 8.000,00 de IR. Descontando do LAIR o IR temos o lucro líquido, que como mostra o relatório, foi de R$ 12.000,00 em jun/08.

A importância da DRE é óbvia. É ela que mostra o lucro ou prejuízo de uma empresa em determinado período. Além disso, a DRE não serve apenas para mostrar o resultado de um período passado, mas também como instrumento de planejamento. Uma empresa que esteja iniciando suas atividades ou fazendo um planejamento de longo prazo simula DRE´s futuras de acordo com diferentes cenários para orientar suas decisões. Logo, é preciso estar familiarizado com a construção de DRE´s, pois é algo básico e quase sempre obrigatório na resolução de problemas de Finanças.

Toda DRE tem essa estrutura básica mostrada no exemplo acima, podendo ser mais detalhada.

RECEITA

Inicialmente, vamos considerar que uma empresa vende apenas 1 tipo de produto ao preço p = R$ 20,00. Se ao longo de 1 mês vendeu uma quantidade q = 150 unidades, sua receita nesse período é R = 150 x 20 = R$ 3.000,00. Generalizando, a receita total de uma empresa que vende um único tipo de produto é Rt = p x q.

Para empresas que vendem vários tipos de produto, a receita total é a soma da receita de cada produto. A tabela abaixo mostra os produtos, os preços e a quantidade vendida em um determinado produto.

FALÊNCIA CERTA LTDA - vendas em junho/08
PRODUTO PREÇO QTDE VENDIDA
sapato R$ 45,00 40 unid
tênis R$ 60,00 60 unid
meia R$ 10,00 120 unid

Como dito, a Receita total é a soma das receitas de cada produto. A próxima tabela resume o cálculo da Receita total.

FALÊNCIA CERTA LTDA - receita em junho/08
PRODUTO RECEITA
sapato R$ 1.800,00
tênis R$ 3.600,00
meia R$ 1.200,00
RECEITA TOTAL R$ 6.600,00

Portanto, a fórmula geral da Receita é R = p x q , sendo que se estivermos trabalhando com vários produtos a Receita total (Rt) é calculada pela soma das receitas individuais de cada produto.

CUSTOS

Primeiramente, é interessante deixar clara a diferença entre custo e despesa. Muitas vezes essa diferença é difícil de perceber em casos concretos, mas em geral o custo está relacionado à produção e a despesa está relacionada à administração. Por exemplo, o salário de um operário é custo, pois o operário trabalha na produção da empresa; já o salário de um gerente, mesmo o gerente de produção, é despesa, pois a gerência faz parte da estrutura administrativa. O aluguel do galpão da fábrica é custo, pois o galpão da fábrica faz parte da estrutura de produção; o aluguel do escritório comercial de uma empresa é despesa, pois o escritório faz parte da estrutura administrativa.

Na contabilidade essa diferença é fundamental, mas na visão financeira de orçamentos e ponto de equilíbrio, fala-se muitas vezes em custos envolvendo também as despesas.

Custos variáveis (vale também para despesas) são aqueles que têm uma relação direta de proporcionalidade com o ritmo da produção. Em outras palavras, se passo a produzir mais, os custos variáveis inevitavelmente aumentarão; se a produção diminui, os custos variáveis também diminuirão. É o caso das matérias-primas, energia elétrica da área de produção, horas extras de funcionários, entre outros.

Custos fixos são aqueles que não têm essa relação direta de proporcionalidade com o ritmo de produção, ou seja, não é porque a produção aumenta ou diminui que eles irão variar. Se uma fábrica opera em um galpão alugado, esse aluguel é um custo fixo, pois operando 24 hs por dia ou simplesmente parada, esse valor não se altera. Os salários de funcionários administrativos são outro exemplo de custos fixos (mais especificamente despesas fixas). O valor do custo fixo não é necessariamente constante, mas suas variações não estão diretamente relacionadas à produção.

Portanto, para saber se um determinado custo (ou despesa) é fixo ou variável, a pergunta que se deve fazer é: se o ritmo de produção variar, esse custo irá necessariamente variar?